“O Pôr do Sol é a prova de que finais também podem ser felizes”

Sunset

Aprendi a respirar vendo o Pôr do Sol, sempre fui dessas hiperativas: estou pronta vamos? Vó me passa a lista, deixa que eu te ajudo. Gabriela, mas que pressa é essa?

Há pouco mais de um ano atrás fui apresentada ao Sunset. O Pôr do Sol ou Sunset, como preferir é a hora preferida do salto entre os paraquedistas  e por algum motivo, depois desse dia, começou a ser a minha também.

Pensei em como seria estar longe sem ele. Quando pousei em San Diego há exatos 10 meses atrás, mal imaginava eu, que ele, justamente ele seria responsável pelos meus 10 minutos ( ou menos) de paz, calma e de vazio na mente – eu salto de paraquedas qnd vejo o Pôr do Sol – é isso, na descrição mais clara que meu coração pode dar.

Inevitavelmente, como quem busca o tesouro atrás do arco-íris, venho buscando o meu Pôr do Sol preferido, aquele que me convença a ficar ou que me dê sentido para ir.

Ontem foi meu primeiro Pôr do Sol na Austrália, confesso, foi lindo de ver. Ele se pôs as 16:55 da tarde em Byron Bay e fez com que eu acreditasse que os dias por aqui podem e devem ser assim.

Não vejo os Australianos, ao contrário dos Californianos – numa comparação quase que inevitável que venho vivendo nesses primeiros dias – parando para vê-lo. Pena para eles.

Ontem no ponto mais leste da Austrália e mais perto da senhora eu vi um dos mais lindos e naquela hora, naqueles minutinhos o vendo ir embora, tudo que consegui pensar foi que sorte a minha, poxa, que sorte a minha.

quando precisar de mim, olha pro mar

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ainda que o coração esteja borbulhando novidades e uma ansiedade que depois de chegar a gente nem sabe mais porque,  o cair da noite vem sempre recheado de incertezas. Sorte a minha que dessa vez, pela primeira vez, minha madrugada pode virar saudade.

Não te tirarei da cama mais pela noite para lhe contar sobre minhas dúvidas  e anseios, ao menos isso, essa desvantagem de fuso me trouxe.

Ainda estou embaralhada  e espantada com o fuso e como posso, de fato, estar vivendo sempre a um dia na frente da senhora, é como se perdesse algumas horas e por algum motivo ainda precisasse delas de volta, isso passa, há de passar.

Meu corpo ainda não se acostumou a jantar no café e vice e versa, mas meu coração já entendeu que a distância não é mais capaz de te deixar longe. Seu olhar ai distante acalma o coração e eu me pergunto como pode alguém que viveu toda essa transição tecnológica e de hábitos ser tão clara  e firme no olhar. Os jovens precisam aprender a escutar a experiência, o que não significa, de maneira nenhuma, que tenha de deixar de viver as suas, longe de mim.

Hoje qnd me pediu para ver o mar, eu me senti perto, como se a mesma água que batesse no meus pés quase congelada aquecesse meu coração. Obrigada por estar ai do outro lado. Obrigada pelo amor simples e inexplicável assim como o mar.

o melhor de Londres

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Longe de mim te dizer que Londres não tem seu encanto, claro que tem, alias tem até muito mais.

A cidade é dividida por zonas e cada estação pode te levar a um lugar e uma sensação completamente diferente. Tenho meu Oyster Card* guardadinho até hoje só para reencontrar  e lembrar de cada detalhezinho. Ao contrário do que acontece com  a maioria, eu não tive um caso de amor a primeira vista com Londres e precisei recapitular e reviver algumas fotos para ver de fato o que havia perdido naquelas horas que passei chorando e não passeando. Afinal a gente cresce, não é não?

Se for morar, ou ficar tempo suficiente que lhe permita fazer compras no mercado, vá ao Mark Spencer, para mim, tem cheirinho de casa. Deve ser pela fornada de Cookies que sai de tempos em tempos e lhe dá aquela sensação de conforto.

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O vento e o frio da cidade tomaram para mim um pouco do encanto, então foi como se cada raio de sol trouxesse um pouco de vida para mim e para minha surpresa para eles também que lotavam os parques ao menor sinal de sol. Meu parque preferido: Saint James, é o mais antigo parque da cidade e lhe permite uma vista linda da London Eye, mas para ser bem sincera não havia ouvido falar muito de lá antes de ir de fato conhecer.

Meus encantos: Notting Hill, Oxford Street, MM´s World, Candem Market, Tate Modern, Madame Tussauds e todo e qualquer teatro, coisa linda mesmo de ver.

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A cidade é toda alinhada e sobra educação, não se escuta gritarias no metro, aliás, mal se escuta alguém conversando por lá. As pessoas, sempre pontuais e bem vestidas, dá até gosto de ver, mesmo. Mas para mim, com todo respeito e sinceridade, o melhor de Londres foi os amigos que fiz por lá. Foram os abraços apertados, as risadas.

Posso não ser a melhor pessoa para falar de Londres, eu sei. Só que foi lá que entendi a intensidade dos abraços a distância e foi isso tornou a cidade inesquecível para mim.

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a primeira vez a gente nunca esquece

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prefiro dizer que eu sempre preciso da sensação da primeira vez, sempre.

como essa semana meu coração esta vibrando chegadas e partidas, o tema não poderia ser diferente.

Quem me vê hoje em dia falando de viagens (e viagens longas) não imagina que a minha primeira vez possa ter sido traumática, a senhora sabe, ô se sabe.

Há exatos 3 anos, mais precisamente fevereiro de 2013 eu embarcava pela primeira vez para fora do alcance de casa. Demorei séculos para criar coragem e de última hora, mudei o roteiro de NY, que era meu destino dos sonhos para Londres e sinceramente, eu não sei nem lhe explicar o porquê.

Malas prontas embarquei para o que seria a primavera dos londrinos, o que, segundo minhas pesquisas variaria numa média de 12 a 15 graus.

Vou pular o chororo do aeroporto, se desta vez eu sai em prantos imagine a primeira e para te dizer bem a verdade, não sei se haverá alguma partida sem choro, quem sabe.

O voo demorou menos que o previsto e cheguei exatamente duas hras antes no local que seria minha casa pelos próximos dois meses. Me lembro como se fosse ontem, vestia uma jacketa nude, calça jeans e bota e definitivamente não estava preparada para aguentar os seis graus negativos que me aguardavam fora do aeroporto, logo, quando cheguei, toquei a campainha quase desesperada esperando que pelo amor de deus aquele lugar fosse aquecido.

Escutei os passinhos (nem tão inhos assim) vindo de longe e um homem grande- leia se grande com ênfase – abriu a porta vestindo aqueles macacõezinhos de pijamas. Por favor, feche os olhos e imagine. Me olhou de cima abaixo com aquela cara de poucos amigos e gritou algumas palavras que em inglês mal sei replicar agora, mas que com toda certeza não eram muito cordiais, me colocou sentada numa salinha pelas próximas duas hras, horário qual eu deveria ter chego e foi embora, me deixando ali, eu e meus pensamentos.

Ao primeiro sinal de wii fii eu pensei em voltar, pedi socorro, eu não queria estar ali sozinha.

Pela primeira vez eu pedi para voltar, pela primeira vez eu fui forte suficiente para ficar.

[Calma! Ainda tem mais de Londres para vir por ai]

o terror da salinha

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depois das mais de 36 horas de voo e do quase alívio em estar em terras firmas, faltava o teste final: a imigração.

Eu sei, como diriam meus amigos do honeytour (alias segue lá J), que o passaporte brasileiro é aceito em 128 países, mas naquela hora, no cara a cara com a imigração, pelo menos para mim, nada disso importa. Eles fazem cara feia e eu particularmente sinto que é quase como se fosse um crime ser brasileiro.

Me vinha na cabeça aquelas intermináveis horas de salinha nos EUA, que mereciam um capítulo a parte da minha história, se não fosse o pequeno e simples fato de que eu gostaria de apagar isso dos meus dias de sonho da Califa. Em um breve resumo: na minha última viagem, com visto de turismo para os EUA, fui parada na minha conexão em Miami, sem qualquer motivo aparente, roleta russa? Não sei. Sei que foram essas horas, mais precisamente cinco horas e meia, que quase me fizeram desistir do “calidream” e eram elas que me vinham na cabeça, prestes a passar na imigração Australiana.

Passaporte carimbado. Ufa! Uma etapa a menos pensei eu, agora é só curtir. Peguei minhas malas que mal conseguia carregar. Duas malas para uma pessoa do meu tamanho de fato não é algo simples e fui em direção a alfândega. Já tinha ouvido histórias bizarras de lá, mas sinceramente não era essa hora que me preocupava. Como de costume, perguntei se estava no lugar certo, ainda tinha mais um check-in a fazer e morro de medo de sair ou de estar em uma fila errada e pronto, batata. (me questiono se deveria parar de perguntar, tenho a sensação que é isso que me leva nesses lugares inusitados, para não dizer outra coisa. Por esse fila moça…e lá vamos nós.

A mocinha que havia me abordado logo na entrada, (a que perguntei da fila, lembram? ), ela me pediu que colocasse a mala sobre a mesa e destravasse o cadeado e na minha cabeça só vinha: “Lá vamos nós outra vez.” Assim que abriu a mala, logo em cima, um bilhete da minha mãe. Ah eu já estou com saudades dela, admito, talvez seja pela insistência dela em se fazer presente o tempo todo, ou simplesmente, pq de fato ela é uma das poucas coisas que fazem sentido para mim…e bingo chororo na certa. A moça, meio sem graça, pediu desculpas por já me mostrar o bilhete antes da minha chegada, fechou a mala sem ao menos checar o conteúdo e conversamos um pouco sobre a minha mãe, minha estadia aqui, sobre o meu mini tamanho, você calça 33 34? Nossa, meu filho de sete anos calça isso, disse ela, já com um sorriso. Pegou a minha mala, colocou de volta no carrinho e me desejou boa viagem…meu coração encheu de amor. Os australianos não são uns fofos? ❤ Confesso. Estou apaixonada.

WELCOME TO AUSTRALIA!

o voo e a distância

aviaoeu morria de medo de voar, muita gente tem disso, eu sei. Já me perguntaram outrora porque, se eu tinha tanto medo eu viajava tanto. Nunca foi do voo que eu gostei, o nervoso sempre foi tanto que me empanturrava de todos os snacks e refeições.
Pela primeira vez, eu não fiquei com medo do voo.
Em uma conversa há meses atrás, enfatizava a liberdade que sentia ao voar, como diria um amigo que admiro muito, meu voo de luxo, já que ainda que tenha saltado por 4 vezes ainda não me encorajei a fazer o AFF (curso de paraquedismo). Enfim como pode alguém voar, literalmente e sentir medo do voo?!
No meio de uma conversa piscou aquela luzinha dos filmes… eureca! O medo não é do voo, o medo é da distância. Distância essa que vai me impedir de estar lá, de ajudar, de apertar, de brigar com a minha mãe pq ela insiste em abrir a minha janela antes mesmo de abrir a dela. Medo de controlar não conseguir controlar a vida. Mas afinal, quem consegue?
Você tem medo de voar?

o portal de embarque

gabiscomo a senhora mesma havia me dito, hoje, 22 de maio era dia oficial do abraço, dia propício para uma viagem, até pq nos últimos dias venho acumulando milhares deles em forma de abraços e palavras. Depois de um tempo, entende-se que abraçar não é apenas e necessariamente algo físico, mas enfim, não era sobre isso que vim lhe falar, ao menos não agora.
chegamos, como de costume, algumas horas antes do voo, além das 3 já de prache. Sabia que seria intenso, sempre é e por mais que a gente saiba é o tipo de coisa, que, ao menos eu, ainda não sei como lidar. Parece que mal estacionamos o carro e já era hora de partir, tenta-se recuperar o tempo perdido abraçar, apertar…. Mãe vai ficar tudo bem?! Se cuida, lembra de tomar os remédios, de trancar a casa direitinho, se alimenta bem, conversa mais… alias, saia mais, depois disso ela consegue dar conta do recado com maestria e me desculpe por qualquer coisa. No dia a dia, a gente esquece de ficar repetindo que ama, briga por cada coisa tonta, naquele momento nada disso importa.
É um chororo que invade aquela portinha… declarações de amor que a gente escuta e finge não estar ali, só p encher o peito de amor com as palavras… que lindo, pensei baixinho, as vezes queria alguém que esperasse por mim. Me debulhei em lágrimas, dei mais alguns abraços apertados nela, respirei fundo, peguei o passaporte e fui.
Passei o portal do embarque, ops, portão…e de repente, quando já perdi ela de vista, a sensação é que a gente já foi? Não é não?Ok. Ainda tinham algumas lágrimas por sair, mas depois dali não tem mais volta.
Me senti no mestre dos magos, isso é da sua época afinal? Lembram? Aquele portal e de repente… Outro mundo…É tudo novo, nova vida… passei o portal.
Fica tranquila, não tenho vergonha de voltar. Vergonha mesmo tenho quando percebo que depositei minha felicidade ali no colo de alguém. Peguei de volta essa resposa, deixa para mim.
Se cuidem por ai, mandem notícias, eu amo vocês.

a síndrome da viagem marcada

13275426_1126299840774345_1770483916_oE de repente todos os planos recebem hora e data marcada, pronto. Já é suficiente para todo o caos que está por vir nos demais dias.
Além da ansiedade, claro, que insiste em tirar as poucas horas de sono, que ainda me restavam a sensação é de que preciso otimizar o tempo e ver ou rever o mundo todo naquela semana que parece mal começar e já faltar horas para acabar. Tem gente que você não vê há séculos, mas de repente, com aquela data marcada, com prazo longo para voltar te da uma sensação de poxa e agora, vem me ver, me abraça.
Preguiça deixa de ser uma desculpa para não encontrar alguém ou deixar aquele até logo de lado. As vezes acho que falta isso na vida, essa sensação de que se pode demorar muito para viver aquele momento de novo ou que talvez a gente nem possa mais viver aquilo e se você parar mesmo para pensar, não pode.
Preenchi todas as lacunas da minha semana de abraços, isso sim. Quero bagagem extra de carinho, porque esse tipo, graças a Deus, nunca é demais.

obrigada pelo frio na barriga

Pensei em te escrever no voo ou já lá em terras Australianas, mas se você quer saber bem a verdade, esta viagem começou muito, mas muito antes das milhares de horas de voo que ainda estão por vir.

Eu, já conhecida pelas minhas chegadas e partidas, vinha reclamando há um tempo de um vazio que persistia em não ir embora. Minha cabeça borbulhava ideias, planos, vontades… cheguei a colocar no papel inclusive muitas delas.

Pesquisei preço, vi fornecedor, marquei reunião, saí do emprego… mas poxa, não era isso, não ainda. Tudo que eu pensava, por fim, era quanta vida eu ia deixar de viver para estar ali, ancorada em alguma cidade. Eu sei que abrir um negócio não significa que eu terei de ficar ali para sempre, mas eu não sou de fazer as coisas pela metade, nunca fui, se eu estou ali, tenha a certeza que estou de corpo e alma naquilo, é como dizem: eu mergulho de cabeça mesmo. (Como ia dizendo) Toda vez que por fim eu pensava, é isso, me faltava alguma coisa, até que finalmente entendi: me faltava o frio na barriga, poxa, como eu precisava desse frio na barriga. Longe de mim dizer aqui que estabilidade não é importante, eu que religiosamente guardo todo mês a mesma quantia no banco há mais de 10 anos, imagine. Apenas me permiti ser eu, assim, sem medidas, resolvi não ser o que esperam de mim e foi nesse dia que a minha viagem para a Austrália começou. Começou nas longas conversas com a minha mãe, que morre de medo de que a Austrália me conquiste e eu deixe de lado o meu bom e velho café quentinho. Começou quando parei dias e dias fazendo o comparativo inevitável entre a Califórnia e Austrália e bati o martelo, deixando de lado, ao menos por esse momento aquela vontadinha que ainda falava no meu coração dizendo, vai é lá. Gold Coast falou mais alto, era tudo novo, novinho em folha, era tanta vida para viver que não me aguentei, eu fui (eu vou) . Naquela quinta-feira de março parte do meu coração foi para lá. A outra, ansiosa, espera o dia do voo e oscila entre esse desejo imenso de ir e a saudade que eu sei que vou sentir do que fica.