Aquele jeitinho brasileiro

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Primeiro e antes de qualquer coisa gostaria de deixar claro: EU AMO O BRASIL

Eu sei que costumo ter essa vida nômade, meio cá, meio lá.

Gosto de viver novas experiências, novas culturas e mais do que isso, defendo que isso aconteça.

Apesar disso, nunca foi minha pretensão, como de muitos, morar para sempre fora do país, criar raízes em outro lugar. Eu amo o Brasil, o clima, as praias, as cidades, as festas, as experiências, as pessoas…As pessoas? Essas andam me decepcionando um pouco, confesso e hoje,   tive que vir aqui te falar um pouco sobre as pessoas vó.

Não estou dizendo que não existem pessoas boas, amigáveis e solidárias no Brasil, longe disso, antes que alguém pare de ler no meio e tome isso como verdade.

Já estava meio engasgada com umas coisinhas aqui, ali, aquele jeitinho brasileiro de furar fila, de não chegar na hora, de insistir em se fechar em uma rodinha JUST SPEAK IN PORTUGUESE, ainda que, pregando e gritando pro mundo o quão friendly somos nós. Fico chateada sabe, porque nessas horas, eu fico sem jeito e por mais que eu queira- e como eu quero – defender o nosso Brasilzão, fica difícil.

Enfim…

Nessa semana andei aplicando alguns empregos por aqui. Organizei meu CV – ops Resume e por mais que saiba das minha limitações de horários resolvi enviar alguns, até porque, ainda que apenas as entrevistas, valem – e muito –  a pena no meu caso. Temos um site aqui que divulga as vagas, ai entre uma olhadinha aqui e ali enviei um Resume para uma academia, apliquei antes de ontem – repito ANTES DE ONTEM – fiz uma breve carta de apresentação, anexei e pronto, foi.  A vaga em questão era para recepção e instrutora – ok. Eu não poderia nem ao menos aplicar para a vaga rs. –  e por isso, e pelas experiências que tive no Brasil eu nem esperava de fato uma resposta.

Hoje, para minha surpresa, eles responderam. Agradeceram o envio e disseram que apesar do meu Resume ser bom, não se encaixava ao que esperavam para o momento. O que importa – DE FATO –  é que a pessoa ali, do outro lado se deu ao trabalho de me dar uma satisfação, um retorno, NOMINAL, educado e eu não tive como evitar a comparação, desculpe.

Perdi a conta de quantas vezes eu e mais um milhão de amigos enviamos CV. Alguns casos, ansiosos pela vaga, a gente fica ali, esperando uma chance, um sinal, – poxa vida será que eles receberam? –  o coração fica apertado – devo mandar um e-mail? – .

O que será que me faltava? A gente se pergunta.

Eu te respondo, calma e segura da resposta:

Gestão de pessoas ou como eu poderia chamar: CONSIDERAÇÃO. Não digo que tenham que escrever um a um, nominal, imagina, longe disso. Espero pelo menos receber uma mensagem dizendo que o processo foi encerrado e agradecendo a participação, olha só, nem é tão difícil assim vai?

Espero que as pessoas tenham consideração por ti independente do cargo.

Espero que percam 2, 3 ou até 5 minutos de sua vida para mudar meses de outra vida inteira.

Espero não ficar surpresa com atitudes como essa e poder encher a boca para dizer que somos sim muito mais do que Carnaval e Futebol.

Desculpa o desabafo, é que as vezes, fica difícil acreditar.

A arte de se reinventar

 

Nati

Engraçado, sempre li e ouvi muito sobre se conhecer quando a gente mora fora. Eu mesma, já falei isso algumas tantas vezes, mas se for parar bem para pensar, ando me conhecendo a cada dia, eu não sou mais a mesma.

Ando tendo de reinventar meus hábitos e mais do que isso, reconhece-los a cada dia para que, daqui em diante, me façam melhor.

Já não ligo mais chorando como fazia da primeira vez que fui embora, não porque esteja doendo menos, longe disso, mas porque descobri que a resposta não esta lá, esta aqui.

Me sinto ainda mais intensa – se é que isso é possível – em contrapartida, mais racional.

Venho aprendendo a cada dia a arte de respirar e seguir e frente, é isso.

Estou aproveitando o melhor de mim e buscando em cada um o melhor de si.

Sempre digo que tenho sorte, de uma forma ou de outra, sempre vai lá Deus e coloca alguém no meu caminho que faz com que as coisas tomem sentido e sigam. Já falhei demais com gente que valia a pena, sorte (mais uma vez) que ainda tenho a oportunidade de tê-las comigo e me reinventar e de redescobri-las.

Me pego pensando nas minhas amigas, nos seus medos e o que posso, eu, ainda que nem sempre ali: parar, pensar e estar presente. Sinto o maior orgulho em poder ver de perto o quanto mudaram e às vezes – ainda naquele velho hábito de olhar para trás – me pergunto se eu fiz tudo que podia.

Olho para frente, pego o celular e pergunto como estão, é isso que importa afinal, o que eu faço agora, nesse minuto.

Sabe, tenho uma amiga de infância, dessas que a gente enche a boca para dizer que não lembra de ter tido uma vida sem? Pois é. Ela foi sempre mais quietinha, mais calada, mais na dela. Talvez essa balança tenha feito com que estivéssemos aqui hoje. Quem sabe né? Ando aprendendo a reconhece-la e quanto mais o faço, mais perto a sinto de mim. Não nos parecemos, não temos os mesmo hábitos, eu não sabia ouvi-la, meu amor por ela me ensinou a ouvir.

Deixar ela se apresentar para mim me fez perceber o quanto eu precisava a deixar falar, mais do que isso, a dar atenção a cada palavra.

As novas palavras que estão por vir espero que me tornem ainda melhores. Também quero que ela tenha orgulho de mim.

Fica com ciúmes não vó, meu amor por ti ainda é incondicional e minha saudade, essa então nem se fala.

WELCOME TO BYRON BAY

Troque uma tampinha por uma roupa

Uma experiência por um sorriso

WELCOME TO BYRON BAY

O fato é que você não pode vir para a Austrália, especialmente para Gold Coast sem ir para Byron. É uma parada obrigatória. Tudo bem, tudo bem, mas afinal, a senhora vai me perguntar, eu sei. Porque?

Byron é um ponto fora da curva e por mais que todo mundo encha a boca para falar de desapego, nada se compara ao que vi por lá.

Para entender, Byron possui – pelo menos para mim – 4 pontos importantes

Primeiro, a carinha de centrinho, daquelas lojinhas aconchegantes e daquelas feirinhas de mil coisas feitas a mão. Tem carinha de casa, de amor, de fica mais.

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Lá você pode encontrar coisas que jamais pensou que seriam possíveis – se você é ou já esteve na Califa, eu diria que Byron é a OB da Austrália (ou de Gold) e por ai já se entende meu amor por lá – no dia que estive por lá você era possível trocar tampinhas de garrafa por roupas, usadas, mas em super bom estado e o interessante é que você ganhava essas tampinhas para fazer a troca.

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É um clima mais roots: sim e com gostinho de quero ficar mais.

Terceiro, você tem um milhão de opções de lugares para comer, ok nem tanto. Mas todos tem uma cara ótima. Comemos no hotel em frente a praia e a porção generosa poderia me alimentar com toda certeza por pelo menos 3 dias. A senhora me conhece, nem é tanto assim rs, é só para ficar claro que sairá de lá satisfeito.

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[ Média de preços dos pratos no Hotel $15 a $20 ]

E por fim, não menos importante, o Pôr do Sol visto do Farol é INCRÍVEL.

Repito: INCRÍVEL, e esta na minha listinha dos TOP 5 Austrália.

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Acho que isso deveria constar quando falam sobre ponto turístico, vou sugerir isso.

É…algo me diz que ainda terei mais histórias de lá.

Considerações gerais

A cada dia anda mais difícil a comunicação com a terrinha, pode ser porque talvez, eu esteja vivendo mais por aqui e as conversas longas já não me parecem tão necessárias ou quem sabe por que realinhei a ordem das prioridades e estar aqui, de corpo e alma, dessa vez esta no topo da lista.

Quem lê o primeiro parágrafo,esse ai, logo aqui acima, já imagina uma vida de mar de rosas, pois é.. As coisas não foram bem assim por aqui essa semana, ela custou a passar sabe e me custou também ir deixando aquelas pequeninas coisas passarem com o decorrer dela.

E  mancha a roupa, não consegue dormir, start to speak in English e quando vê esta perguntando se o suíço quer um pouco do bolo em Português, acontece. Que jogue a primeira pedra quem – fora do país – nunca passou por isso.

É só sentir dor e quer colo de mãe, de vó… não resolve, eu sei, mas é isso que a gente quer. Homesick. É doença isso afinal?

Hoje foi diferente, sabia que teria forró, quem diria eu, logo eu, adorando forró. Passei a manhã animada com a aula também, último dia nessa sala, essa coisa de começar de novo me anima, tenho que admitir, aceitar e saber como lidar.

Pensei no curso novo e com isso… Nossa mas e ai, se minha nota for boa e eu tiver a oportunidade de fazer novos cursos por aqui?

Pela primeira vez eu cogitei ficar, pela primeira vez a minha vontade de viver aqui foi maior do que a de voltar.

Passou. Mas continuo pensando.

 

CURIOSIDADE DO DIA

Forró é um ritmo e dança típicos da Região Nordeste do Brasil, repito – Brasil e eu fui me apaixonar por ele logo aqui, na Austrália.

Quem vai entender ?

O termo “forró” é uma redução de forrobodó e me desculpem os gringos, mas isso, o brasileiro tem como ninguém mais.

Primeira vez, mais uma vez

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Eu queria ter um título novo para a senhora – mentira-  não queria não, estou amando esse mar de novidades, essa mistura de sentimentos e mais do que isso essa entrega.

Aqui o amanhã é agora e pronto.

Hoje fiz minha primeira aula de Yoga, já havia pensado, marcado, mas a bendita custava a sair da ideia.

Comecei em grande estilo afinal: Dia Internacional da Yoga e com direito a aula “Grátis” com o valor simbólico de umas moedinhas.

Confesso que eu não tinha certeza se conseguiria manter a minha mente lá por uma hora inteira, em silencio, sabe como é: H-I-P-E-R-A-T-I-V-I-D-A-D-E.

Lembrei da Simone, minha ex chefe, que sempre me recomendava tentar. Na sua idade eu também era assim, cheia de ideias e potencial, mas não conseguia parar para respirar, Yoga te faria bem, dizia ela, você deveria tentar.

Ela estava certa, mais uma vez. Não me lembro de ter respirado tão profundamente e por tanto tempo em nenhum outro lugar, ao menos não depois de ter entrado nessa vida de agência, clientes, budget e campanhas. Sai leve, pronta para a próxima. Tem concorrência essa semana? Rs.

Há exatamente um mês eu embarquei em um caminho sem volta.

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Digo isso, porque ainda que os meus planos – ao menos a principio – não sejam ficar aqui na Austrália, aquela Gabriela que a senhora se despediu na manhã de domingo ficou em Guarulhos. Ela não existe mais.

Ao contrário do que acontece com a maioria – ou ao menos o que a maioria deixa transparecer – a idade me trouxe mais medos e uma bagagem que confesso, estava difícil de carregar.

Não queria mais andar sozinha pela estrada, coisa que fazia há anos. Não queria mais estar longe, nem fazer planos de longo prazo. Não pensava no futuro e estava lá me agarrando insistentemente em uma pontinha de mim que ainda insistia em sinalizar um pouquinho de vida.

Eu embarquei naquele aeroporto para me encontrar.

Cheguei aqui assustada, as 20 e tantas horas de voo vieram para me mostrar que, de fato, a Austrália não é lá tão perto assim. Ai vem o fuso e não adianta, por mais que você lute contra ele, vai insistir a te empurrar a viver uma vida nova e acompanhar de longe aqueles que estavam aqui ou lá qualquer horazinha do seu dia. Vai ser difícil, mas também, como dizem: quem foi que disse que seria fácil?

Dei a sorte grande de estar em casa fora de casa, digo isso com o coração cheio de gratidão por uma família que me acolheu mil vezes no Brasil e agora, outras tantas aqui na Austrália. Eu não preciso citar nomes, eles, graças a Deus, sabem bem quem são.

Encontrei uma frestinha de luz em cada conversa, em cada vez que eu, de fato, me dedicava a estar presente. Até que de repente estar presente foi ficando mais fácil e as lágrimas começaram a não ser mais necessárias. Comecei a preencher meu tempo com o novo e o que me assustava aquele dia, hoje, já não me assusta mais.

Comecei a fazer planos – voltei a fazer planos- a pensar em lugares, em viagens.

Voltei a ter vontade de seguir em frente. Afinal é isso que a gente vem buscar, não é mesmo?

Eu nunca provei tanto do novo quanto agora, nunca me senti tão aberta a experimentar, eu não me lembro de me sentir viva como sinto agora. E só por isso, já valeram a pena aquelas 20 e tantas horas.

Eu ainda sinto meu coração apertado ao te ver pela câmera ai na sala, deve ser por isso que ando evitando e seguindo ali firme.

Perdi a conta de quantas senhorinhas me fizeram chorar, chorar de amor, sabe?

Queria dizer obrigada, por estar aqui comigo.

Obrigada a minha mãe, que amadure a cada viagem e a cada tombo.

Obrigada a Austrália e a todos que de uma forma ou de outra fizeram com que tudo isso fosse mais leve.

Up to you make this time the best .

PURA VIDA 🙂

O dia e a nova Amsterdã

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Como disse, cheguei a Amsterdã no período da noite e por isso, ainda não sabia o que esperar ao amanhecer.

Foi como se eu tivesse dormido em uma cidade, cheia de luz e atrações e acordado em outra: calma, rodeada de flores e ciclistas por todo lado. Meus Deus!! O que mais poderia eu esperar de lá.

As canadenses haviam acordadas eufóricas, já vinham comentando há tempo sobre o tão famoso Museu da Anne Frank, uma delas, desde o começo da viagem (estávamos viajando de ônibus e o ponto de partida havia sido Londres) falava insistentemente sobre lá, e me perdoem, me perdoem mesmo, na época, alguns anos atrás tive que pesquisar de quem se tratava e hoje, morro de vergonha em ter de admitir isso. Enfim, elas falaram tanto que parecia quase um desproposito não ir visitar. Confesso que aquela fila de duas horas quase me venceu, mas acaba que por fim a gente vai esperando e esperando e quando vê voilà.

Existem experiências que mudam sua vida, pois bem, esta de fato, mudou a minha.

Foi como se eu tivesse mergulhado dentro da história e mais do que isso nos sentimentos da pequena Anne Frank. No Anexo Secreto, nome dado a casa na qual a menina se escondeu com mais sete pessoas, você respira história e consegue sentir, obviamente em ínfimas proporções, um pouquinho do que ela e os demais passaram por lá.

 

Curiosidade: Antes de ter de se esconder Anne recebeu em seu último aniversário em liberdade um Diário, no qual dividia histórias sobre o Anexo e sobre si, além de contos e suas frases preferidas. Anne sonhava em ser escritora ou jornalista.

Otto Frank, único sobrevivente do anexo e pai de Anne, descobre o Diário e é convencido por seus amigos a publica-lo em junho de 1947. O livro que emocionou o mundo, teve a princípio  3.000 primeiros exemplares, e posteriormente inúmeras outras edições e traduções, além de peças de teatro e de um filme.

Viajar me lembra viagens…Amsterdã by night

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Já eram quase sete da noite quando cheguei a Amsterdã e confesso, ainda que todo cronograma já estivesse prontinho eu ainda não estava certa se deveria sair de casa, ou melhor, do hotel. A essa altura a maioria dos meus amigos deveria estar se perguntando, mas como assim? Você esta Amsterdã. Como alguém pode ter dúvidas sobre se quer ou não sair? Isso parece tão claro.

Não para mim. Amsterdã nunca foi meu destino dos sonhos e estar lá sem meus amigos definitivamente não estava nos meus planos. Decidi ir pro quarto. Isso. Era a melhor decisão afinal, peguei o telefone para ligar para minha vó, o programa da noite incluía um teatro com uma peça pornô (isso mesmo) e ela jamais aprovaria algo desse tipo e de certa forma, decidiria por mim. Milagrosamente, com menos de dois toques ela atendeu.

– Vó? Tudo bem? Acabamos de chegar em Amsterdã e o pessoal esta indo para o teatro (apenas para pontuar: estava em uma excursão chamada Contiki na qual eu era a única brasileira no meio de alguns americanos, canadenses e uma maioria esmagadora de Australianos, que me faziam duvidar se eu de fato era capaz de entender o inglês, ninguém pode dizer que eu não sabia como seria o sotaque deles ao decidir vir p ca, ainda assim eu vim.)

– Que bom Gabriela, bom teatro.

– Mas vó, a peça é pornô.

– Gabriela (disse ela já em tom mais sério) se não for em nada desse diferente, não poderá dizer o que acha e nem ao menos que esteve ai. Quando fui com seu avô fiquei horrorizada com as mulheres na rua (falando ela  sobre as prostitutas que se expõem quase como uma vitrine de roupas) e com as cenas de sexo explicito, mas ao menos, posso dizer que sei do que se trata e que não gosto. Vá já se trocar e vá com eles.

Ainda em silêncio e em choque com a resposta dela, comecei a me arrumar, quase sem argumentos.

Eu definitivamente não gostei da peça e ainda me pergunto como aquela mulher conseguiu colocar uma bandeira daquele tamanho bem, vocês sabem onde… mas com certeza minha avó estava certa. Eu não teria compreendido nem metade da cidade sem estar presente lá.

A noite em Amsterdã vai além dos coffee shops e das tradicionais lojinhas.

Cheguei na cidade a noite, com as luzes, as festas, com a sensação de liberdade que estar lá te traz. Fui dormir e acordei em outra cidade, se permita conhecer todos os cantos e mistérios de cada uma delas, ao menos era totalmente diferente do que eu esperava depois daquela noite.

Essa outra “cidade”, ah vó, essa deixa para a próxima carta.

Faça coisas que você não faria. Ninguém cresce ou aprende vivendo na zona de conforto.

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Essas frases martelaram na minha cabeça por semanas, o que me faz crer que ao menos  ando seguindo algum dos conselhos e colocando minha mente e meu coração 100% em tudo que ando fazendo, ainda que seja apenas numa conversa informal no Skype.

Se já era tão difícil antes manter o foco, manter-se presente.

Hoje em dia, é tanta distração que fica realmente complicado seguir o raciocínio, lembrar, entender e mais importante dar a devida atenção a quem merece. Estamos trabalhando para isso afinal né?

Ontem foi um dia atípico, definitivamente atípico, quando vim para cá me propus fazer de tudo e tentar tudo, mas do que prometer para a senhora, o que claro, já vale e muito como palavra dada, prometi a mim mesma, o que torna toda essa responsabilidade ainda maior.

Ainda assim, não esperava que fosse tão rápido. Minha nova flatmate (adoro falar isso), me chegou com essa novidade ontem: e ai Gabi, tem um casual de cleanner, encara? (As palavras não foram bem essas, mas foi assim que soou para mim). A gente costuma limpar a casa da gente, ou pelo menos deveria, mas limpar a casa de outra pessoa definitivamente me parecia bem mais assustador. Mas o meu intuito aqui é outro, meu intuito aqui é entender, colocar os pingos nos i´s, entender o porque alguém deixa de lado uma carreira no Brasil para começar tudo de novo. Entender o que faz com que os trabalhos aqui sejam indiferentemente respeitados e bem pagos…e me perdoe citar uma verdade, nem sempre absoluta, a gente só entende quando a gente vive.

Pois bem, peguei meu rodinho e fui. Mentira rs. Você não precisa levar nada hehe.

Sai daqui 10 horas, num encontro marcado com uma Inglesa as 9, talvez ela não seja tão britânica assim afinal.

Chegamos numa casa de Holiday que com certeza deve ter saído de um filme, piscina infinita só tem em filmes, certo?

Na casa uma família de japoneses: mãe, pai e filha…não necessariamente nessa ordem. Parei para brincar com a menina…crianças me acalmam… definitivamente. Ela me ensinou a brincar de uma forma que sempre ganhasse. Me senti a senhora que insistia em dar um jeito de fazer com que a gente ganhasse em todos os jogos. Deve ser por isso que todos os netos sempre escolheram o vô nas partidas, ele sim, ele sabe ganhar.

Começamos a limpar pelo banheiro, sempre de cima p baixo, lavar com água só no Box e na banheira. A casa era incrivelmente grande, o que me fazia pensar em quando seria o fim. Teria um fim afinal não?

Na hora de arrumar a cama, falamos da vida, falei do meu pai, ela falou dos filhos…chorei, ela chorou. Poxa vida, a vida as vezes é tão dura. A gente tem mesmo é que ouvir muita história, para julgar menos e amar muito, muito mais. Ganhei abraço :), estou colecionando eles por aqui.

Meu corpo chegou cansado, meu coração cheio de amor.

It´s not that bad, como dizem por aqui.

Ainda não quero seguir carreira e pode ser que isso não aconteça mais.

Digo isso porque nunca é tempo demais né?

Fiquei pensando que 3 vezes por semana desse trabalho seria praticamente o equivalente a um salário razoável no Brasil, com horário flexível (como gostam de dizer quando você ficara até bem acima do seu horário rs.). Fiquei triste. Não gosto de pensar que as pessoas tem que deixar suas casas para viver um sonho. Sou a primeira a apoiar aventuras, viagens, novidades, mas porque acredito nelas como um crescimento pessoal. Queria que as pessoas pudessem ver no Brasil o que veem aqui, uma chance de conciliar trabalho, vida e sonhos. Mais do que isso: ser respeitado por isso.

Eu ainda tenho muito para viver por aqui. Eu só queria que a senhora soubesse o que meu coração sente agora, além de saudades, claro.

Ninguém vai te vender o Pôr do Sol, mas é ele que você tem que comprar

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Sorte a minha que a senhora me ensinou a gostar de flores, desse modo não parece tão absurdo quando encho a boca e os olhos para falar do Pôr do Sol. Engraçado isso né?

Aqui, uma novidade, comecei a apreciar também o nascer do sol, pode ser, talvez porque, nesse horário louco eu acorde mais cedo, talvez. Ainda não fui para praia essa hora olhar para ele, mas já é um item que tenho que ticar na vida, prolongarei um pouco, mas não vou falhar rs. Te garanto.

Esses dias ganhei de quebra um arco-íris, disseram que foi para compensar a hora que acordei. Quem sabe não?

Essa semana foi especial e de uma forma ou de outra ela atraiu com ela pessoas especiais, pena que nem sempre elas estão aqui, ao alcance de um abraço. Mas a gente abraça como pode, dá bom dia, dá boa noite, pede carinho, manda foto, acompanha a vida, divide a vida. Tem gente que esta tão perto que as vezes vó, eu me pergunto porque quando a gente esta ai, do ladinho, deixa passar, deixa para lá, deixa para depois. Gabriela, a hora é agora não é? Eu em. Pensando bem acho que é bem isso, era para ser agora, não faria sentido antes e se for verdade fará todo sentido depois também.

Aqui a vida segue sentindo falta de alguns abraços e guardando um tanto de outros em forma de histórias e amor para ti.