Há exatamente um mês eu embarquei em um caminho sem volta.

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Digo isso, porque ainda que os meus planos – ao menos a principio – não sejam ficar aqui na Austrália, aquela Gabriela que a senhora se despediu na manhã de domingo ficou em Guarulhos. Ela não existe mais.

Ao contrário do que acontece com a maioria – ou ao menos o que a maioria deixa transparecer – a idade me trouxe mais medos e uma bagagem que confesso, estava difícil de carregar.

Não queria mais andar sozinha pela estrada, coisa que fazia há anos. Não queria mais estar longe, nem fazer planos de longo prazo. Não pensava no futuro e estava lá me agarrando insistentemente em uma pontinha de mim que ainda insistia em sinalizar um pouquinho de vida.

Eu embarquei naquele aeroporto para me encontrar.

Cheguei aqui assustada, as 20 e tantas horas de voo vieram para me mostrar que, de fato, a Austrália não é lá tão perto assim. Ai vem o fuso e não adianta, por mais que você lute contra ele, vai insistir a te empurrar a viver uma vida nova e acompanhar de longe aqueles que estavam aqui ou lá qualquer horazinha do seu dia. Vai ser difícil, mas também, como dizem: quem foi que disse que seria fácil?

Dei a sorte grande de estar em casa fora de casa, digo isso com o coração cheio de gratidão por uma família que me acolheu mil vezes no Brasil e agora, outras tantas aqui na Austrália. Eu não preciso citar nomes, eles, graças a Deus, sabem bem quem são.

Encontrei uma frestinha de luz em cada conversa, em cada vez que eu, de fato, me dedicava a estar presente. Até que de repente estar presente foi ficando mais fácil e as lágrimas começaram a não ser mais necessárias. Comecei a preencher meu tempo com o novo e o que me assustava aquele dia, hoje, já não me assusta mais.

Comecei a fazer planos – voltei a fazer planos- a pensar em lugares, em viagens.

Voltei a ter vontade de seguir em frente. Afinal é isso que a gente vem buscar, não é mesmo?

Eu nunca provei tanto do novo quanto agora, nunca me senti tão aberta a experimentar, eu não me lembro de me sentir viva como sinto agora. E só por isso, já valeram a pena aquelas 20 e tantas horas.

Eu ainda sinto meu coração apertado ao te ver pela câmera ai na sala, deve ser por isso que ando evitando e seguindo ali firme.

Perdi a conta de quantas senhorinhas me fizeram chorar, chorar de amor, sabe?

Queria dizer obrigada, por estar aqui comigo.

Obrigada a minha mãe, que amadure a cada viagem e a cada tombo.

Obrigada a Austrália e a todos que de uma forma ou de outra fizeram com que tudo isso fosse mais leve.

Up to you make this time the best .

PURA VIDA 🙂

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