Jogo dos 7 erros

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Vou me adiantar nas comemorações, afinal não é sempre que se fazem sete meses de Austrália, né?

Alias, foram só depois desses sete meses que finalmente vi canguru pela primeira vez, felicidade maior para o vô, que me questionou um tanto de vezes se realmente aqui era a Austrália já que até então eu não tinha visto nenhum. Eles (os Australianos) não curtem muito essa ligação direta deles com os cangurus, eu, respeitando, não associarei mais.

Meu coração esta um turbilhão de emoções, aquela pergunta: casa ou compra uma bicicleta? Sabe? Gente, nunca achei tão simples, compra a bicicleta logo e borá dar um role por esse mundão, ops é? Perae.

Na verdade as questões começam a ser tão maiores e os sentimentos tão mais intensos que às vezes a gente se perde na gente mesmo. Pode isso? Eu explico. É tanto sentimento novo que de repente, eu tenho que me reapresentar a mim mesma e me readaptar. Oi muito prazer, eu com certeza não sou há mesma pessoa que você conheceu.

Estou explorando mais, confesso, mais do que nunca por aqui, fiz uma lista. Me julguem, sou do tipo que adora uma lista. E ainda que me dê a maior emoção do mundo ticar cada lugar desse mundão, muitas vezes, o que eu queria mesmo era incluir um item: volte duas casas e visite o Brasil. Ôxe, que saudades que eu tenho do meu Brasil.

Ainda me pego acordando falando bom dia, quando ninguém que mora comigo consegue entender necas de Português e outras milhares de vezes concluo conversas em Inglês, aquelas que deveriam ser em Português, sabe?

Já morei em 4 casas, com 7 nacionalidades, fora os agregados, daqui, dali.

Vi urso polar, canguru, coala, pinguim, peru andando pela rua, ratifico, tem muito peru andando pelas ruas aqui.

Mudei de gosto, de ideia, de opinião.

Fiquei com medo, achei que não iria suportar, chorei, ri, cresci, eu consegui.

Hoje eu vou comemorar um dia e parabenizar a todos que estão aqui já mais de mil, construindo um mundinho novinho em folha.

Hoje pertinho do Natal vou te desejar abraços, mil. Abracem, por favor, abracem!

Não existe melhor professor que a saudade

afamilia

Sabe nos últimos anos, nessa época, eu estaria arrumando minhas malas para ir para o Santa Clara, viagem de família de fim de ano, sabe como é. Vou confessar que a maioria das vezes fiz isso pela senhora, estar no mato até então não era bem o que eu chamaria de sonho.

Estar longe e com o coração cheio de saudade te faz dar mais valor sabe, te faz sentir o desconforto de não estar presente nos eventos familiares, de não estar nas fotos, de não fazer parte das lembranças, de não poder reclamar daquele primo que atrasou ou comeu demais. Até ai, tudo bem, pensei, poxa o pior já passou e ai… ai é Natal.

Ô data para deixar o coração apertado, ninguém te ensina a sentir saudades. Nossa! Minha mãe não esta passeando nas lojas comigo  e tentando ver todas as promoções que encontra no caminho. “Gabriela, no shopping de Campinas estão dando dois carros”. Não estamos arrumando as malas. Não terei ceia a meia noite. Não poderei reclamar da tranquilidade do Santa Clara, calma, eu adoro lá, mesmo, mas sabe, muita calma, às vezes também não da para mim sabe? Meu coração esta que é só saudade.

Afinal quem disse que seria fácil?

Queria escrever hoje, hoje merece texto, merecia textão, mas não vou me prolongar para não fazer toda essa saudade doer ainda mais sabe? Vou escrever para reler e sentir mais uma vez tudo isso e quando pensar em fazer qualquer coisa que não seja agradecer com um abraço aperto, eu parar, pensar e voltar atrás, esses dias não merecem nada diferente de abraço apertado.

Guardem os meus, já já estou indo buscar.

Eu amo vocês, com uma saudade sem limite.

WANDERLUST

O mundo anda meio virtual, como a senhora pode ver, até minhas cartas já não andam as mesmas, ainda que mantenha as enviadas, como de praxe para não perder o costume.

Blogs, instagrams, snapchat  e às vezes admito, tento entender como incluir esse tanto de redes sociais no meu dia-a-dia. Tenho, claro, aqueles que sou fã de carterinha, seguidora assídua mesmo sabe? Mas ultimamente, por sorte, eles pertencem ao meu grupo meus amigos, delícia em dobro. No quesito fitness sigo assiduamente o snap da Fer Martini, que fez Pós comigo em Pira, acho que a senhora nem chegou a conhecer, para os que interessarem, corre lá no insta @cozinhecomigo que lá tem todas as  informações e umas receitinhas delícia, no quesito viagem, ah viagem ❤ a Re e o Bruno estão dando show pelo mundão através do Honeytour (segue segue segue) para os fascinados por viagem e precisam de dicas assim, de amigo para amigo mesmo? Eu não poderia indicar lugar melhor. Quem precisa do Google geeeeente? ❤

Foi de lá que peguei a TAG, e admito que depois de tantas fichas de aeroporto e imigração foi o primeiro questionário que fiquei realizada em responder TIM TIM por TIM TIM.

Para os amantes de viagem, vale perder uns minutinhos para lembrar de um tempo bom. Compartilha no face, manda mensagem pro amigo que viajou contigo, revive um pouco de tudo aquilo e aproveita e embala para programar a próxima, porque não né?

Bom, resumindo, é uma TAG que esta rolando pelos blogueiros sobre viagem. Ai a gente não aguenta né Vó?

Bom chega de papo e vamos lá…

  1. Quando e para onde ia o seu primeiro avião? 

Meu primeiro avião voou para o Rio de Janeiro e me lembro de ter ficado apavorada no voo, segurei com força a mão do meu pai, que fingia estar tudo bem, mesmo com o pânico de avião que ele tinha desde que me conheço por gente. Sentei entre meu pai e minha mãe e agora pensando nisso, acho que é uma das lembranças mais lindas que tenho de nós três. Somado há um tanto de momentos na nossa casa no centro de Rio Claro, interior de São Paulo (mas isso fica para um outro capítulo).

 

  1. Para onde você já foi e gostaria de voltar? 

Minha vó, essa senhora linda para quem eu escrevo, me disse certa vez que quando você vive algo muito bom em um lugar você não deve voltar, deve deixar as lembranças lá, vivas.

Tenho que dizer que concordo com ela e ainda digo mais, o mundo é grande demais para repetir viagens.

Eu ainda voltarei para o Rio, sim eu voltarei, mas qualquer plano de viagem mais longo, eu vou sempre optar por algo que ainda não tenha visto.

Vou falar dos lugares que não me arrependi de ir, vale?

San Diego, eu precisava mesmo falar?

Roma, era um sonho muito mais do meu pai do que meu, mas a energia é INEXPLICÁVEL.

Amsterdã, museu da Anne Franke mudou meu conceito sobre história

Galway

Madri

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  1. Você está viajando amanhã e dinheiro não é problema. Para onde você vai? 

Nossa, vale uma lista?

Hoje em dia não opto mais pelos tradicionais, quanto mais você viaja, mais do mundo você quer conhecer. Tenho muita vontade de ir pro Japão, acredito que seria o primeiro da lista.

Seguido de Fiji, Croácia, Grécia, Colômbia e claro, sempre, Fernando de Noronha, que eu estou guardando para ir com alguém especial, confesso.

 

  1. Método preferido de viagem: Avião, ônibus/trens ou carro? 

Trêm: conforto, vista e praticidade.

Ainda não existe um trêm que de a volta ao mundo então rs, acho que ainda terei de enfrentar um tanto de fila pelos aeroportos da vida.

 

  1. Qual o seu site preferido de viagens?

honeytour.com.br, De longe e so far.

A melhor coisa que tem em acompanhar viagens é quando você consegue sentir e consegue imaginar o lugar e com eles, definitivamente, não tem como não se sentir entre amigos. (não é jabá gente, eu juro).

Sempre jogo um Google sobre as cidades e novas ideias.

Decolar / Booking / Skyscanner porque viajar ainda não é de graça né? Rs.Imaginaaaaaaa?!

 

  1. Para onde você viajaria só para comer a comida local? 

Quem me conhece sabe que eu não escolheria o lugar pela comida rs, mas vamos lá.

Eu amei a Califa porque eles dão sabor para a comida Fitness e é tudo super fácil de encontrar.

Ainda que a Itália seja uma delícia por si só, foi na Tailândia que vivenciei os mais diversos sabores e finalmente comi as vieiras que sempre dão as caras pelos Masterchefs da vida. Esse eu repetiria mil vezes.

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  1. Você sabe o seu número de passaporte de cabeça? 

Decorei, mas admito que ainda não consigo ter confiança suficiente de preencher a bendita fichinha sem conferir se esta ok.

  1. Você prefere o assento do meio, corredor ou janela? 

Corredor, sempre, principalmente viagens longas.

Eu nunca consigo dormir nos voos e sempre, sempre preciso ir ao banheiro, principalmente quando não posso. Já tentei pular as pessoas enquanto elas dormiam, não tentem isso, acreditem.

  1. Como você passa o tempo quando está no avião?

Se tem filmes, filmes, se não tento dormir ou atacar os snacks oferecidos (eles não são bons, eu sei, mas existe algo mais forte que eu quando entro em aviões).

10.Existe algum lugar que você nunca mais voltaria? 

Nunca é forte não? Olha vou te falar os lugares que eu não faço questão de faltar, não me julguem ok?! Londres e Dublin. Lindos, já vi, sassariquei, fiz check-in na lista dos conhecidos e por mim, já deu. Lugares frios e chuvosos já não são meus preferidos, repetidos então. Mas como disse, nunca é forte demais né?

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Lembrei que a senhora me deu um guia quando fui para a Europa, contando TIM TIM pó TIM TIM onde foi com o vô e vou te falar que me deu uma curiosidade de saber quais seriam as duas respostas. E ai vó, me conta?  ❤

“Where dreams come true”

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Não sei se são os ares do verão, mas de repente parece que ficou tão mais fácil vir falar com a senhora por aqui. É que tanta novidade, tanta vida, tanto sol.

Lembra que contei sobre a Mi umas semanas atrás? Fiquei tão animada com a história e o sentimento que tive aquele dia que resolvi ir atrás de mais, porque não afinal né? É tanta gente boa espalhada pelo mundo, poxa vida.

Há 6 anos atrás quando me formei na Faculdade, nossa, tudo isso mesmo? S-E-N-H-O-R! Entrei no meu primeiro emprego em agência em Campinas/SP, foi meio ao acaso, eu nunca tinha de fato pensado em seguir para esse lado e confesso que o carisma do Giuliano (meu antigo chefe) foi praticamente 80% do que me levou a entrar para esse mundo (Alias, obrigada). Enfim, como ia dizendo…foi nessa época que conheci a Carol, trabalhávamos no mesmo complexo, eu, inclusive, almoçava praticamente todos os dias por lá quando não trazia minha comidinha de casa, ela trabalhava em um restaurante delícia e era o melhor humor matinal que você pode imaginar encontrar. Ela sempre foi simpatia pura, sabe aquela energia boa que a gente quer por perto? É do tipo que a senhora ia ter gosto de desejar Dia Feliz !! Porém, confesso que não esperava que ela trocasse a nossa terrinha (Brasil) para  um voo tão distante, essa vida é mesmo uma zoeira sem fim não? (Não podia perder a temática, foi tema de uma conversa com a minha Re hoje Vó, me desculpa). Quando estava na Califa (Ah San Diego <3) foi que vi o primeiro post da Carol por lá e tenho que admitir que a terrinha Obama / agora Trump a fez ainda mais linda, alias, retificando ela continua tão linda quanto, mas com um olhar mais forte, mais determinado sabe?

Sobre a mudança, eu sei que ela poderia ter mil motivos para sair de lá, a gente nunca sabe o real motivo de alguém mudar de vida assim, na verdade muitas vezes, nem as pessoas mesmo conseguem explicar com tanta clareza, mas ai resolvi averiguar com quem melhor poderia me contar, ela. Muito amor por cada história e cada vida que chega num ponto e PUM …muda.

– Carol tudo bem? Quanto tempo, não? Alias como passou rápido, parece que foi ontem que mudou ai, por fim não paramos para conversar direito, o que te levou mesmo para ir para Tampa (para quem não sabe, fica nos EUA, do ladinho da Disney, exatamente onde “The dreams come true”)? O que você sentiu quando chegou? Como você sabia que era isso que deveria ter feito, sabe, que era o caminho certo?

“Sabe quele frio na barriga diante de tantas incertezas? Foi isso que senti quando cheguei aqui na Flórida. Aquele momento que você mesmo se pergunta:  o que eu estou fazendo aqui ? E confesso que até hoje não encontrei respostas concretas. Porém, de uma coisa eu sei , foi a melhor decisão que tomei , às vezes nos vemos diante de situações difíceis e ficamos na dúvida da decisão de mudança , mas sempre penso que mudar nunca é tão ruim quanto parece.
Saudade? sentimos o tempo todo ! Vai passar ? Com certeza NÃO ! Mas nos aprendemos a lidar com esse buraco que fica. Nunca vai ser preenchido com coisas ou pessoas , coisas e pessoas somente acrescentam , não substituem.
Diante da Crise do Brasil decidimos em apenas 3 meses e pronto, mudarmos para cá , loucura ? Um pouco … Muitos desacreditaram, outros apoiaram…

Mas será que foi por causa da Crise mesmo ?
Confesso que eu ( e meu marido ) na verdade estávamos cansados do comodismo, da rotina, entre outras coisas…e tudo acabou contribuindo para essa decisão. E não me arrependo nem um segundo por poder conhecer outro país , outra cultura e outras pessoas.
Afinal vivo em um lugar onde ” The dreams come true ” rs … e se tornam mesmo.
Agradeço a Deus pela oportunidade de poder voar para novos horizontes.”

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É vó, a Carol (essa linda da foto aqui em cima) voou mesmo, inclusive, vai ganhar um reforço para o time dos sonhadores, o Ryan, que já vai nascer com a sorte grande de ter você como mãe.

Sabe vó, nessas horas que eu penso que sorte a minha, esbarrar com pessoas assim, para dividir um pouco dessa loucura do mundo. Meu sonho? Que a gente ainda se encontre por ai, enquanto isso, que todos os dela continuem se realizando.

O terror do visto

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(Imagem retirada do blog: http://blog.sealbag.com.br/)

Sabe, é nessas horas que eu vejo o quanto não globalizado é o mundo. Porque o pessoal curte falar aos quatro ventos que o mundo não tem limites, que você vai e volta quando quiser, mas ali, no papel, preto no branco não é bem assim que as coisas funcionam.

Ok. Pelo menos quando o assunto é a Austrália, sabemos que não é lá não difícil assim achar argumentos e defesas para ficar ( ou vir ), mas ainda assim, poxa. É um tanto de questionário e “letter” para cá e para lá que você fica pensando, nossa, tudo isso para provar que sou boa suficiente para eles ou o que? Como se já não bastasse toda a dúvida de trocar a vida por uma novinha do outro lado do mundo e toda essa saudade, ela ainda vem recheada de um tanto de fichas para serem preenchidas e aplicadas, reaplicadas. (digo isso porque você não tira um visto e vai ser feliz, você tem que periodicamente renova-lo e re-aprova-lo perante o Governo)

Desculpa aos demais países, vou me resumir a Austrália, pelo menos nesse post para tentar ser mais sucinta ta vó?

Sendo brasileira, como você pode aplicar seu visto para vir?

1 – Skills, ou seja, você tem alguma habilidade que “falta” no país, então, provando por A mais B que você realmente é apto, portas abertas.

2- Turista, o visto é tranquilo, pode ser online mesmo, e pronto, liberado para passar 4 meses aqui na terrinha. Yewwww

3- Estudante, o que você precisa?

Escolha do curso, vale reforçar que para os que pensam em se aventurar por mais tempo, você tem que começar do mais básico, ou seja, apenas inglês e ir galgando, o que mostra sua evolução e logo, justifica os motivos para estar aqui. (Como se viver essa intensidade toda já não fosse lição o bastante.) – lembrando que: nesses casos precisa ter uma comprovação de renda proporcional ao tempo que pretende ficar aqui, pode ser sua ou pode ser comprovada através de parentes e amigos.

Alguns países tem liberado aqui o Work Holiday Visa, logo, se você é brasileiro, mas seu passaporte é Europeu, você ainda pode recorrer a essa alternativa. (sorte a sua)

Deixando essa burocracia toda para lá, como eu ia falando vó, pessoal enche a boca para falar de globalização, mas na hora do vamos ver não é bem assim que a banda toca.

Me entristece sabe… me entristece ver a diferença principalmente para os Sul-Americanos, incluindo, claro o Brasil.

Me entristece saber que a cada x meses tenho que provar que posso estar aqui.

Me entristece saber que esse negócio de ir e vir, assim como tantas outras coisas, acaba por ser apenas da boca para fora.

O que nos resta é continuar acreditando, porque eu desejo poder continuar sempre indo e vindo por onde eu quiser.

Amém

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Ai é Natal, oi?!

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Eu não sei se é comigo ou se é geral, mas sempre consigo sentir de fato como o ano passou rápido no Natal, esse então, nossa nem se fala.

Ai começa aquela história de colocar na balança o que você se propôs e focar para que os deslizes deste ano não se prolonguem para os demais.

Não cumpri tudo que me propus Vó, às vezes, sinto que isso dói mais por não poder te contar d,o que porque de fato fico sentida com isso, errar é humano sabe? Poxa.

Mas em contrapartida, nossa, foi um tanto de vida por ai… e que tanto.

Morei com gente da Suécia, do Japão, da Inglaterra, da Finlândia, da Austrália  e claro, do meu Brasil. Acaba que por mais que eu não tenha visitado esse tanto de lugares, um pouco deles ficou em mim.

Mudei de planos, mudei de sonhos, mudei de vida.

Troquei meus destinos, literalmente.

Aprendi a falar inglês, eu sei, eu sempre me virei, mas falar mesmo, só aqui. Ainda falta muito, claro, sempre falta, em Português mesmo hora ou outra eu e a senhora damos aquela olhadinha no dicionário, aqui não seria diferente né?

Viajei… no Brasil, na Austrália, na Tailândia, quero mais…Me levem.

Aprendi a conciliar viagens com encontros, double match.

Me desafiei mais, chorei mais, eu sou mais forte, eu venci.

Eu cumpri toda minha listinha prometida na terrinha dos Cangurus que nem tem tantos Cangurus assim rs.

Entendi que a vida começa e recomeça quando eu decidir.

Enfim, vamos começar de novo?

A gente fica, mas o coração voa.

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Era sábado, dia 10 de dezembro, quando meu coração fez seu primeiro voo. Não que eu não tivesse sentido falta de casa, longe disso, a senhora, melhor do que ninguém sabe o tanto de vezes que eu pensei em virar as costas e ir, dessa vez foi diferente.

Eu já sabia o que estaria por vir, a verdade cruel é que ao mesmo tempo que a internet ameniza, ela também atenua a saudade, e que saudade.

Já estava me preparando para aquele bombardeio de mensagens que estaria por vir naquele sábado, mas mais do que isso, pensava no quanto eu gostaria de estar ali.

Foi casamento da minha prima e por mais que algumas vezes eu confesse ter reclamado sobre ir em eventos familiares, não estar ali era tão incomum, me entende?

Não estaria sentada na mesa com meu tio João analisando o cardápio e a demora ou não demora da comida, não passei semanas escolhendo o vestido e perguntando para minhas primas como elas iriam vestidas, não sai nas fotos, não tirei selfies, não vi minha mãe fazer maquiagem sozinha pela primeira vez, não reclamei dela pegar docinhos demais, levar bem casado para casa, nossa gente, teve bem casado? Nem perguntei. Não vi como minha prima ficaria de noiva, ou como seria o altar, foi estranho sabe? Não importa, meu coração…meu coração voou para lá. Meu coração abraçou a senhora na igreja e sentou do lado da minha mãe. Tirou selfies com todas as minhas primas. Dançou, vibrou, desejou o melhor. Meu coração viveu tudo isso, ele não sabe medir essa distância toda.

Que ele nunca desaprenda a voar, porque hoje, já não importa mais onde eu esteja, parte de mim sempre será uma saudade imensa.

Sabe vó, a melhor coisa de todas as aventuras de quem “se joga” e “voa por ai” são as histórias que a gente vive e também, claro, as que a vive de tabela. De tabela? A senhora vai me perguntar, eu sei vó, te conheço. É pq acaba que a gente sente a dor e a alegria de quem esta com a gente, a gente se vê na história dos outros e de repente… opa, pera, é isso ai.

Por isso hoje eu decidi fazer diferente, queria que a senhora entendesse como é ouvir daqui e dos que estão aqui (ou ali) o que faz com que eles mudem a vida toda e voem.

Em 2013, quando estava ainda em Londres, naquela cidade fria, fui buscar o calor da Madri, fui buscar aquele abraço apertado, um ombro amigo e é nessas horas que a gente vê que não tem distância e nem tempo que destrua o que é de verdade. Fiquei hospedada na casa da Mi que literalmente saiu de Salto para o mundo rs. Nos conhecemos no banheiro do show da Ivete, mas foi em Madri que ela se tornou essencial nos meus dias. Pedi que ela me escrevesse explicando porque ela, que mora há nove anos “fora de casa” decidiu “voar”  e perdi a conta de quantas vezes olhei para o texto parei e pensei opa, pera, e me li ali.

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“Bom na verdade não sei como começar falando sobre minha mudança, eu penso que foi mais por aventurar, não muitas coisas me faziam 100% feliz naquele momento,então pensei porque não? Foi duro sair de lá, deixar emprego, deixar faculdade, deixar a rotina foi fácil… deixar amigos foi duro… deixar família foi pior, essa parte de mim ficou lá até hoje depois de 9 anos… saudades é uma tatuagem na alma. Mas fui, tive a benção dos meus pais que era importante pra mim, e apoio de todos que me amavam, talvez um apoio que para eles doeu e para mim foi necessário para mudar meu caminho 🙂
Então fui viajar e não voltei… MADRID foi meu destino, que loucura!!! Conheci pessoas, fui acolhida por estranhos que se tornaram inesquecíveis para mim, sofri, lutei, tive medo, tive saudade que doía e se transformavam em lágrimas, chorei, mas chorei muito, mas também sorri. Vi neve pela primeira vez, fiz cafés pela primeira vez, servi pessoas pela primeira vez, tive meu primeiro salário em euro, estudei na escola da vida, fui ilegal em um país estranho até eu formar parte dele, 5 anos e 8 meses esperei p ver minha família aguentei com muita fé em Deus pois isso é o que me fazia seguir sempre Deus que me dava força em tudo. Reaprendi gestos, reaprendi com meus erros, mergulhei fundo em tudo e hoje sou feliz por isso. E não pode faltar, nesse largo caminho conheci meu marido, aos 20 e pouco conheci um amor diferente, um amor verdadeiro e para sempre. Amar foi bom e ser amada foi uma virtude. Depois de casados o caminho foi menos difícil tínhamos um ao outro, e anos depois embarcávamos em outra nova aventura, e dessa vez foi mais fácil superar a mudança eu não estava sozinha em uma nova caminhada, e o destino foi Sul da Inglaterra. Sim nós aceitamos enfrentar uma nova experiência no país cinza haha mais um país, sem falar nada… Foi tudo completamente novo, dirigir por exemplo do lado “não normal” ou estar constantemente com uma jaqueta a prova de água… não ver o sol sempre uma das coisas difíceis de acostumar, mas tb tive um nível de aprendizagem sobre tanta coisa que fazia valer a pena e não estava sozinha, estudei, trabalhei como voluntaria para aprender o inglês, criei mais uma vez confiança e consegui um trabalho e dessa vez não servia copas ou cafés e sim roupas e sapatos
Hoje… Ah hoje sou feliz, “aqui nas Europas” ,sempre fui feliz porém como no Brasil nunca, 100% minha família ainda está lá… o diferente foi que lá eu era feliz por estar com minha família e aqui sou feliz por estar seguindo minha vida.
Tive que aprender, a ser filho de longe, a amar via Skype, a ver meus primos e irmãs crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do Whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente. A vida de quem inventa de voar é complicada, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. E se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas…
Apesar disso….Enfim faria tudo de novo…”

 

Senti parte de você nas suas palavras e parte de mim em tantas elas.

Obrigada por ser essa delícia de saudade!