Sabe vó, a melhor coisa de todas as aventuras de quem “se joga” e “voa por ai” são as histórias que a gente vive e também, claro, as que a vive de tabela. De tabela? A senhora vai me perguntar, eu sei vó, te conheço. É pq acaba que a gente sente a dor e a alegria de quem esta com a gente, a gente se vê na história dos outros e de repente… opa, pera, é isso ai.

Por isso hoje eu decidi fazer diferente, queria que a senhora entendesse como é ouvir daqui e dos que estão aqui (ou ali) o que faz com que eles mudem a vida toda e voem.

Em 2013, quando estava ainda em Londres, naquela cidade fria, fui buscar o calor da Madri, fui buscar aquele abraço apertado, um ombro amigo e é nessas horas que a gente vê que não tem distância e nem tempo que destrua o que é de verdade. Fiquei hospedada na casa da Mi que literalmente saiu de Salto para o mundo rs. Nos conhecemos no banheiro do show da Ivete, mas foi em Madri que ela se tornou essencial nos meus dias. Pedi que ela me escrevesse explicando porque ela, que mora há nove anos “fora de casa” decidiu “voar”  e perdi a conta de quantas vezes olhei para o texto parei e pensei opa, pera, e me li ali.

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“Bom na verdade não sei como começar falando sobre minha mudança, eu penso que foi mais por aventurar, não muitas coisas me faziam 100% feliz naquele momento,então pensei porque não? Foi duro sair de lá, deixar emprego, deixar faculdade, deixar a rotina foi fácil… deixar amigos foi duro… deixar família foi pior, essa parte de mim ficou lá até hoje depois de 9 anos… saudades é uma tatuagem na alma. Mas fui, tive a benção dos meus pais que era importante pra mim, e apoio de todos que me amavam, talvez um apoio que para eles doeu e para mim foi necessário para mudar meu caminho 🙂
Então fui viajar e não voltei… MADRID foi meu destino, que loucura!!! Conheci pessoas, fui acolhida por estranhos que se tornaram inesquecíveis para mim, sofri, lutei, tive medo, tive saudade que doía e se transformavam em lágrimas, chorei, mas chorei muito, mas também sorri. Vi neve pela primeira vez, fiz cafés pela primeira vez, servi pessoas pela primeira vez, tive meu primeiro salário em euro, estudei na escola da vida, fui ilegal em um país estranho até eu formar parte dele, 5 anos e 8 meses esperei p ver minha família aguentei com muita fé em Deus pois isso é o que me fazia seguir sempre Deus que me dava força em tudo. Reaprendi gestos, reaprendi com meus erros, mergulhei fundo em tudo e hoje sou feliz por isso. E não pode faltar, nesse largo caminho conheci meu marido, aos 20 e pouco conheci um amor diferente, um amor verdadeiro e para sempre. Amar foi bom e ser amada foi uma virtude. Depois de casados o caminho foi menos difícil tínhamos um ao outro, e anos depois embarcávamos em outra nova aventura, e dessa vez foi mais fácil superar a mudança eu não estava sozinha em uma nova caminhada, e o destino foi Sul da Inglaterra. Sim nós aceitamos enfrentar uma nova experiência no país cinza haha mais um país, sem falar nada… Foi tudo completamente novo, dirigir por exemplo do lado “não normal” ou estar constantemente com uma jaqueta a prova de água… não ver o sol sempre uma das coisas difíceis de acostumar, mas tb tive um nível de aprendizagem sobre tanta coisa que fazia valer a pena e não estava sozinha, estudei, trabalhei como voluntaria para aprender o inglês, criei mais uma vez confiança e consegui um trabalho e dessa vez não servia copas ou cafés e sim roupas e sapatos
Hoje… Ah hoje sou feliz, “aqui nas Europas” ,sempre fui feliz porém como no Brasil nunca, 100% minha família ainda está lá… o diferente foi que lá eu era feliz por estar com minha família e aqui sou feliz por estar seguindo minha vida.
Tive que aprender, a ser filho de longe, a amar via Skype, a ver meus primos e irmãs crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do Whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente. A vida de quem inventa de voar é complicada, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. E se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas…
Apesar disso….Enfim faria tudo de novo…”

 

Senti parte de você nas suas palavras e parte de mim em tantas elas.

Obrigada por ser essa delícia de saudade!

 

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