Carta para ele [meu Brasil]

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Você mais do que ninguém sabe a falta que senti, enchia o peito para falar de ti e falar que apesar de todas as “mancadas”, ainda era e é para mim o melhor do mundo. Perdi a conta de quantas noites de sono perdi contando as horas de finalmente, voltar.

Eu voltei, confesso, senti pena de você, deve ser por isso que falam tão mal de você lá fora. Há meses atrás quanto te deixei com os olhos cheios de lágrimas eu não conseguiria enxergar e apontar tantos defeitos, a gente se “acostuma”, já me disseram isso aqui acredita? Calma, já já você se adapta de novo. Oi?

Era manhã de sábado quando estava fazendo compras pela primeira vez no mercado depois de retornar ao Brasil, mercado pequeno, mas as melhores frutas da cidade e ainda que o preço seja “um pouco” acima do mercado tradicional, tenho que defender que a qualidade compensa. Parei no caixa, nossa, quanto tempo que eu não parava no caixa, para os que não sabem na Austrália você tem a opção de passar, pagar e embalar sua própria compra; Então, estava até estranhando voltar a esse processo, enfim, ao menos teria alguém para conversar um tiquinho (que carente rs.). Enquanto aguardava dei uma olhada nas prateleiras do caixa, enquanto a moça, toda arrumada, passava as compras do carrinho para a caixa e enquanto o rapaz embalava. Acabou. Ela pagou, pegou suas sacolas e foi embora, o carrinho ficou. Obviamente, tive que tirar o carrinho e guardar para que pudesse posicionar o meu e passar minhas compras. Pensei que deveria ser só ela, tentei não dar importância, sorri para a moça do caixa e passei a minha parte. A cena já se repetiu ao menos 3 vezes desde então, uma pena.

Parei de ouvir: por favor, obrigada, você poderia por gentileza. Ainda escuto vai, a frequência? Essa já não é mais a mesma.

As faixas de pedestre existem, eu as vejo, mas é como se não existissem, se eu fosse um estrangeiro, com toda certeza, já teria sido atropelada.

As conversas são sempre as mesmas, todos me falam que você não tem jeito, falam da insegurança, falam dos problemas, falam da situação do país e como de costume, ninguém consegue olhar e mudar a si mesmo.

Pobre de você, meu país, meu amor. Eles insistem em desistir de você. Insistem em te dar o peso para carregar que é tão mais deles.

O Brasil continua lindo, pena que muitas vezes os brasileiros não o deixam ver.

POR FAVOR, NÃO SE ACOSTUMEM!

Eu continuo apaixonada por ti, me recuso a desistir de você, me recuso a me acostumar com o que não acredito, me recuso a não fazer minha parte, afinal, também eu sou parte de ti.

REPITO, POR FAVOR, NÃO SE ACOSTUMEM.

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