Ela era sempre tão forte que ele não soube ver além da armadura.

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Todos os dias a rotina se repetia, ela acordava, deixava tudo pronto antes de sair, dava um beijo na testa quase que sem beijar, tinha medo de acorda-lo. Deixava um bilhete ao lado do café e seguia.

O trabalho dela ficava há algumas horas dali e por isso nunca batiam os horários do café, pena para ela, que sempre sonhava com o dia em que ele a surpreende-se com um café na cama.

Eles sempre foram opostos, o que nunca impediu que fosse amor, ele era calmo na vida e nas respostas, com pequenos rompantes de felicidade. Ela, ela  era intensidade pura, aquelas de alta tensão: no amor, no trabalho e na vida. Ela não sabia ser meio termo.

As explosões dela, às vezes eram por coisas tão bobas, que ele deixava passar. Brigava por uma roupa fora do lugar, por um atraso, por uma toalha esquecida na cama. Quem liga afinal?

Ela escondia a dor, escondia o choro antes de voltar para casa para que ele não tivesse que ouvi-la depois de uma jornada de trabalho cansado.

Fingia não ligar quando ele esquecia as datas importantes para ela.

Fingia a tristeza sorrindo.

Ela segurava o mundo dela, para fazer o mundo dele exatamente como ele imaginava.

Ela era estrela.

Ele não soube ver através do brilho, tão pouco entendeu porque parou de brilhar.

 

Ela vive de poesia e Pôr do Sol

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Lembro da primeira vez que me apaixonei pelo Pôr do Sol, já tinha meus 27 anos, acredite. Ele correu na varanda desesperado como quem fosse perder o trem: corre Gabi, corre. – gritava ele já lá fora.

Corre para quê? – pensava eu ainda me trocando.

Vai logo – insistia ele. Ô Pai, estou indo.

Foi a maior correria até chegarmos no Pier, Pacif Beach, San Diego, para os 10 minutos mais incríveis da minha vida…Ali eu aprendi a viver de poesia… e de Pôr do Sol.

Todos os dias desde então começou a ser quase que uma regra. Comecei eu então a insistir para que fossem depressa ou que parecem o que estivessem fazendo e contemplassem esses 10 minutos de paz, que com certeza lhe traíram mais uns 10 anos de vida.

Ainda não consegui encontrar nada parecido com o Pôr do Sol de Ocean Beach, mas essa busca constante me ensinou a parar, respirar e admirar o que há de mais belo no mundo. Naquele minuto eu me conecto com o mundo, respiro, eu vivo, eu sou poesia, eu sou o sol.

Aqueles minutos são meus e posso ser e estar onde eu quiser.

Aquele minuto eu não sou saudade, sou poesia.

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“Liberdade não tem haver com partidas, na verdade tem haver com permanências.”

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A verdade é uma só, as pessoas não sabem o que é ser livre.

Vivemos  – nós entre os 30 anos – na geração que dividiu o “tudo não pode” pelo “tudo pode”. E a cabeça como fica?

Se já é difícil formar uma opinião que agrade “gregos e troianos”,  imagine uma vida.

É muito fácil, mesmo, gritar ao mundo que se é livre e que se faz o que quer. Mas será mesmo?

Será que por nenhum um minuto suas decisões não são influenciadas. E digo influenciadas por pessoas que amamos mesmo. Será?

Me pego várias vezes ao dia ouvindo as vozes de amigos e da minha vó, ou pensando no quanto meus atos afetam eles. Quero ser livre, sim, mas não quero que minha liberdade machuque ou magoe ninguém. Como afinal a gente navega por esse mar?

Perdeu-se também, na minha opinião, um pouco do sentido do que é liberdade e ela, assim como o amor, acabou virando banal. Perdeu a essência. E agora?

As pessoas não tentam mais, não se esforçam mais, afinal,  elas vão, afinal, elas são livres, não é mesmo?

Ontem, antes de dormir, li a melhor descrição sobre liberdade,  obrigada Leandro Freitas (e não eu nem te conheço): “Liberdade não tem haver com partidas, na verdade tem haver com lindas permanências.”

Liberdade também tem haver com permanência. Sim! Tem haver com ficar, com manter, com tentar e acreditar. E estou para te dizer, que na maioria das vezes ficar, é muito mais difícil do que simplesmente ir.

Liberdade tem haver com deixar ir o que você não acredita, claro. Mas também tem haver com lutar pelo que se acredita.

Liberdade tem haver com se permitir: ser, viver, sentir e errar. Porque não?

 

Liberté ❤