Não me prometa mundos e fundos, apenas viva esse momento comigo.

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Não espero mais do mundo e nem das pessoas que façam meu futuro diferente, até porque, como eu mesma já disse, ele pertence a mim.

Espero apenas e simplesmente que dividam comigo o agora, que estejam aqui, que me olhem nos olhos, que me abracem com força.

Espero que sejam a saudade que senti depois de dois dias distante.

Espero que lembrem de mim quando olharem aquele iogurte na prateleira ou quando passar na frente daquele lugar que é só nosso.

Espero ser o primeiro número que pensem em ligar quando lhe acontecer algo bom ou quando não souberem para onde ir.

Espero que sejam reciprocidade do hoje, por inteiro e só.

Ser feliz por alguém é a mais pura e sincera forma de amar.

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Fico feliz quando meus amigos, no auge dos seus problemas mais sérios ligam e me procuram, vendo em mim um ponto seguro para recorrer. Lembro que acordei várias vezes pela madrugada quando um ou outro não conseguia voltar para casa por ter bebido demais, me acordavam para que fosse até lá, resmugava, relutava, mas se quer bem saber a verdade, sinto falta da pureza desses dias.

Dividíamos também as risadas, claro. As festas, as histórias, aquele paquera novo… a vida, ainda na forma mais simples de ser.

Com o tempo, eu que sempre fui um livro aberto, descobri que o mundo real não é bem como a gente imagina e que amigo mesmo, não é aquele que segura a barra contigo, é aquele que vibra com a tua felicidade, acredite ou não, descobri que ser feliz com e por alguém é raridade.

Por isso “compartilhe com os poucos e bons”.

Eu poderia me prolongar em argumentos, mas os mais jovens, assim como eu, relutarão em acreditar, os mais experientes, me leem e entendem.

Aos meus poucos e bons, obrigada, não sobreviveria sem a felicidade de vocês.

Parem o mundo, eu quero descer.

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Me tiraram o olhar de criança e não sei mais se gosto do que vejo, por favor, parem, eu quero descer.

As pessoas perderam o limite do amor, do próprio inclusive e se auto-destroem sem medir as consequências, a pedra atirada não volta, as palavras, acreditem, também não.

Há quem ainda passe o limite da fala, acreditando que ela não tenha a força de um tapa e na falta de argumentos, agridem, machucam e mais do que aranhões, pessoas andam deixando marcas nas almas.

Vejo meus amigos perdendo o brilho no olhar, perdendo a esperança, perdendo a fé na vida. Eu queria ser porto seguro, mas eu, mal me lembro como faço para nadar.

Os parâmetros de normalidade fazem com que não vejamos mais o óbvio e que sejamos prisioneiros de ideias de tal forma, que já nem discutimos mais. Não vale a dor de cabeça e segue o jogo.

Não vejo pessoas rindo alto, nem se abraçando com força.

Para onde estamos indo afinal? Por favor, parem, eu quero descer.

Me assusta a falta de amor, mas ainda pior, a forma de amar

As mudanças no mundo vem acompanhando uma mudança descabida do amor, ao menos, do conceito da palavra e eu, assustada, não sei mais te dizer se sei o que é amor e pior, se eu sei amar.

Os abraços apertados e longos ficam apenas por conta das crianças, que graças a Deus em sua pureza, ainda não sabem te explicar o que é o amor, talvez isso explique muita coisa.

Os julgamentos passaram a ser cada dia mais severos, ainda que insistam em parecer cada vez mais livres de pré-conceitos, as pessoas claramente anseiam por um deslize, uma necessidade de apontar o erro alheio e de pensar que aquela pessoa, olhe bem, nem é tão feliz quanto parece.

As pessoas passaram a ter medo de dar boas notícias e da carga de inveja que vem com ela. Ficou mais fácil então espalhar a tristeza, já que ela, vejam só, é algo que a sociedade consegue entender com mais facilidade. Não dar certo, afinal, é o normal, não?

Riso sem motivo então, raridade.

As pessoas se dividem entre as que se orgulham delas mesmas e por isso, taxadas pretensiosas e as que inseguras na busca de seu caminho, já não se posicionam mais, não se amam mais e amar alguém, sem se amar primeiro, repito mil vezes, não é amor.

Como então vou te explicar o que é o amor?

Vou te dizer que o amor é digno dos que ainda não entendem do que ele se trata, ah crianças, expliquem o que é o amor.

Explique que os abraços podem ser apertados sem maldade, que o sorriso pode ser leve sem motivo, expliquem que se pode dividir um mundo de felicidade sem medo. Sorte daqueles que correm, caem e acreditam que são capazes, levantam e seguem.

Ama-se pela paz que a pessoa lhe traz, mas também pela paz que pode se oferecer.

Ama-se por chorar junto, mas também por não saber explicar os sorrisos.

Ama-se por ser porto-seguro, mas ama-se ainda mais por poder nadar livre e esse mar de amor para onde voltar.

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Continuem orando por nós

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Era por volta de dez da noite quando ela voltou para casa, gritou, gritou, ninguém…

Olhou para o chão, um papel ainda meio rasurado com umas palavras mal escritas, segurou na mão e foi tentando decifrar aos poucos, a letra parecia tremida, como quem escreve com pressa e incerta, tamanham eram os “recomeços”

Na primeira linha:

 “Mãe, antes de qualquer coisa, me desculpa.

Eu não queria mesmo que fosse assim, ninguém afinal nasce desacreditando dos finais felizes.

De meses para cá venho relutando com as evidências  e esse afastamento do mundo somado a certeza de que essa luta toda continuará sozinha não anda me fazendo bem.

Liguei várias vezes para as meninas e nem elas, nem elas sabem bem mais o que dizer. No fundo a gente sabe que cada um tem seu caminho, seu rumo e a verdade é que de repente, eu não me encaixo mais.

Tentei falar com a senhora também, como tentei… mas nada pareceu suficientemente importante para que parasse cinco minutos e me olhasse nos meus olhos, eu não te culpo, imagine, afinal, eu tenho tudo não é mesmo? O que mais eu poderia querer?

Essa sensação de que as “roupas” antigas já não me servem mais anda acabando comigo e para falar bem a verdade, não sei se sobreviveria a mais alguma decepção como essa, por isso, decidi por terminar por aqui.

Peço que continue cuidando da vó e claro, da senhora também.

Não deixe de colocar um copo de água sempre cheio perto do santinho na cozinha, sabe, se já fazia sentido para mim antes, agora então, nem se fala.

Continue orando por mim.

Mais uma vez e por fim, me perdoe, mesmo, a senhora foi o que de melhor me aconteceu, obrigada.

Carolina”

Rosana soltou a carta e correu pela casa procurando a filha.

– Carol meu amor. Gritava ela.

Era tarde demais.

Carolina era uma menina normal, classe média alta que tinha tudo para preencher a listinha de vida perfeita que a nossa sociedade transcreve.

Não era feliz no amor e aos seus quase 28 anos ainda não preenchia os requisitos: casada ou bem sucedida na profissão, ou ambos, porque não?

Procurou a mãe, família e as amigas por inúmeras vezes.  Aparentemente, ela não tinha nada de tão importante a dizer.

NUNCA MINIMIZE O SENTIMENTO DE ALGUÉM

O caso da Carol, contado ai acima, foi inventado.

Uma média de 32 casos como estes acontecem por dia no Brasil, um número ainda maior no mundo.

É IMPORTANTE COMPARTILHAR A DOR

É IMPORTANTE SE SENTIR AMADO

É IMPORTANTE ACREDITAR NO SER HUMANO

 

Eu, particularmente, me recuso a desacreditar.

Quase 30…

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Confesso, a contagem regressiva anda dando uma pesada, não sei se porque ouvi desde criança que depois dos 30 é tipo “o fim do mundo” ou se porque escuto aquela menina me questionando: – E ai? Como estamos?

Problema é que os anos passaram e com eles, os sonhos foram mudando, se adequando e atender as expectativas dela andou ficando cada dia mais difícil, mais distante.

Me perdoem os mais reservados, mas o véu e grinalda saiu da minha listinha há anos.

Hoje, muito mais do que dividir a vida com alguém, eu preciso e quero dividi-la comigo, me desdobro em mil para não deixar de sonhar aos quase tão temidos “quase 30”, até porque, eu ando descobrindo tanta coisa nova, que não faz nem sentido dizer que já vivi tudo que podia, por favor né, como já disse, os 30 são os novos 20.

Com a diferença clara que hoje sou mais madura do que há 10 anos atrás. O que não me impede também de fazer uma loucura aqui e ali, longe disso, me impede de parar depois do tombo, isso sim. Vai Gabriela, levanta, não temos tempo para isso, segue em frente.

Hoje em dia não me coloco prazos tão longos e tão pesados, vivo e ponto.

Vivo experimentando algo novo e com isso, aquele sentimento de frio na barriga nunca morre, graças a Deus.

Dou o braço a torcer que a essa altura os amigos conto nos dedos, mas entendo, valorizo e aprecio a qualidade, aos poucos e bons, o meu muito obrigada, quanto amor por vocês.

Aos meus 30, desejo sabedoria de me perdoar mais e com isso sofrer menos.

De traçar novos planos e retraçar se necessário.

Desejo a intensidade da vida aos 20, com a leveza que a sabedoria aos 30 pode me oferecer.

Se você quer mesmo saber, olhando por aqui, mais de pertinho, ele nem me parece tão ruim assim.

O mundo clama por amor, mas o que falta mesmo é respeito.

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Acordei certo dia e descobri que ela não é a mais a mulher da minha vida, tudo bem, não foi bem assim, vínhamos discutindo há um tempo e as semelhanças, antes tão evidentes, agora já não passam de mera coincidência. Confesso que algumas coisas até deixei de gostar de coisas que antes adorava, evitava, com medo dela decidir ir comigo; comecei a evitar os minutos, prolongava as horas de trabalho, até que de repente, não tive mais desculpas. Lavei a cara com coragem e pedi o divórcio, ou melhor dizendo, anunciei que sairia de casa, era o mais sensato a fazer afinal.

Ela relutou, falou do nosso amor, lembrou e relembrou histórias, eu, decidido, mal ouvi. Nosso filho, ah sim, temos um filho, lindo, lindo mesmo , e não digo isso porque é meu não, estava na escola, até por isso foi o horário escolhido para esta conversa, não sabia como ela poderia reagir e queria poupar meu filho de todo esse transtorno ou de qualquer palavra que mesmo sem entender no auge nos seus quase dois anos pudessem ficar gravadas em sua memória.

Quando ela finalmente percebeu que não tinha volta, começaram os gritos, as ofensas, relevei, não deveria estar sendo fácil para ela, muitas vezes, até mesmo quando sabemos que é o melhor a se fazer, relutamos.

Hoje, há exatos dois anos desse dia, essa história ainda se repete toda semana. Muitas vezes, mais sensato, escuto sem responder, outras, retruco e por fim, me arrependo, essa coisa de pagar com a mesma moeda definitivamente não é para mim. Evito que nosso filho escute nossas brigas, as ofensas… evito que nosso dia-a-dia se torne um verdadeiro inferno e evitando ali e aqui, minhas horas com ele vão ficando mais e mais escassas, e meu coração ainda mais apertado, rezo.

Não entendo como de um amor assim, que ela “grita” aos quatro cantos, não sobrou nem o respeito. Sou de uma geração da nova família, onde filhos já não são mais do mesmo pai, nem da mesma mãe, onde se misturam os gêneros, as cores, as vidas. Clamamos amor, mas quer saber bem a verdade: Não há amor que sobreviva a falta de respeito que vivemos. Rezo por dias melhores, em que meu filho possa ter dois lares de paz. Rezo para que as pessoas sejam famílias, sem precisar dividir o mesmo lar. Rezo para que haja respeito, pois sem ele, me desculpem, não há amor que sobreviva.

Uma sorte ter você na minha

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Era época de faculdade  e me lembro do pessoal ansioso aguardando o final de semana para comer comidinha de mãe, eu, mal ouvia a conversa e seguia adiante, perdi a conta de quantas vezes fiquei brava por ela não saber o meu prato preferido, que na maioria das vezes desde essa época se resumia a um grelhado com salada, mas por fim deixava passar.

Certo dia, contando uma história para uma de minhas amigas, ri alto lembrando dos causos e acasos que vivemos, sabe, pouca gente tem essa sorte, de já nascer com a pessoa certa para dividir a vida, pois é, que sorte a minha.

Saímos nesse mesmo dia, era uma sexta-feira e a ideia era apenas ir num barzinho ali na esquina, mas sabe como a vida é…a noite é uma criança, nos seus 19 20 anos então, nem se fala. Lembro de ter pego o carro e ido viajar, foi a coisa mais inusitada e mais engraçada que já fizemos, na hora já me veio em mente, é o tipo de coisa que quero contar pros meus filhos. Liguei para ela, ela relutou, por fim, disse para que aproveitasse.

Ela me deixou viver cada prazer e desprazer que a vida pôde e pode me oferecer, ela estava sempre ali.

Sempre relutei em admitir que seria melhor assim, de uns anos para cá, me rendi.

Se eu tivesse que escolher como ser aos olhos dos meus filhos, com certeza, eu gostaria de ser a melhor amiga deles, assim, do jeitinho que ela é para mim.

Já pensei em muda-la mil vezes, toma juízo menina! Hoje, na maioria delas peço para que Deus mantenha a essência de criança que ela tem, que faz com que a minha vida seja mais leve. Ela não me ajuda a resolver os problemas, nem tão pouco me mostra o caminho. Quer saber? Sorte a minha.

Aprendo a andar caindo, na certeza de que a mão dela estará ali, sempre pronta para me reerguer.

Eu vivo cada minutinho de uma vida que ela sem querer, deixou para mim.

Ás vezes acho pesado ser feliz por nós duas, outras, fico feliz por fazer parte da felicidade de alguém.

Ter uma mãe é uma benção, uma melhor amiga é uma raridade.

Um daqueles a moda antiga

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Eu sei que o rebu todo hoje pede um homem diferente, com uma postura diferente e uma mente aberta, eu sei.

Mas posso falar a verdade? Ainda me encantam os gestos a moda antiga.

Muito se critica o que não deveria mais ser, pouco se elogia do que eles sempre foram.

Sempre, digo, pensando na época dos meus avós, eu mesma, pouco presenciei.

Eu sou da geração que ri quando se abre a porta do carro, que não se entende uma gentileza e que acha démodé mandar flores.

O meu, por favor, mandem a moda antiga.

Sem generalizar os defeitos e nem as qualidades, por favor, apenas parem.

Vivemos a era da individualidade que insiste em generalizar, quem entende.

Repito e ratifico, o meu, por favor, daqueles das antigas com moda de viola e serenata para ela.

Guardei palavras…

 

Acordei hoje meio angustiada, não sei se já tiveram isso, sensação de palavras não ditas. Gente isso dói.

Estava atrasada, entrei no carro pensando, cheguei a pegar o celular na mão, mas prometi a mim mesma que não vou usar nem em casos urgentes, coloquei de volta no meio do banco, segui pensando…

Andei meio fraca da vida, acho até injusto dizer isso, mas foi. Uma sensação de afogar constante e ia me segurando aqui, ali, entre uma palavra e outra.

Me fez lembrar os tempos de infância quando tentava nadar e ao chegar na beira meu primo pisava minha mão com força, sentia a borda e soltava, até que finalmente ele me puxava para fora. É isso, estava esperando alguém me puxar…e nada.

Nessas horas a gente tenta de tudo, tenta ver o lado bom, tenta ver o problema dos outros, tenta fugir, já cheguei a apertar os olhos com força mentalizando, dorme, dorme…vai passar.

Hoje foi diferente, acordei pensando naquela mão que me puxou e os nomes vinham na minha mente com uma força e tantos, que me meu sorriso saiu quase que nem querer, meio tímido e depois já livre, como quem assiste um filme.

Caramba, que sorte a minha.

Parei o carro e comecei a mandar obrigada, assim, seco, sem razão de ser.

Mania nossa de procurar quando o problema é eminente e esquecer de agradecer sorrisos.

Meu Deus, meus amigos, obrigada.

Sorte não poder me afogar de amor, sorte poder confiar que sua mão estará sempre ali.

Obrigada.

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