Continuem orando por nós

women

 

Era por volta de dez da noite quando ela voltou para casa, gritou, gritou, ninguém…

Olhou para o chão, um papel ainda meio rasurado com umas palavras mal escritas, segurou na mão e foi tentando decifrar aos poucos, a letra parecia tremida, como quem escreve com pressa e incerta, tamanham eram os “recomeços”

Na primeira linha:

 “Mãe, antes de qualquer coisa, me desculpa.

Eu não queria mesmo que fosse assim, ninguém afinal nasce desacreditando dos finais felizes.

De meses para cá venho relutando com as evidências  e esse afastamento do mundo somado a certeza de que essa luta toda continuará sozinha não anda me fazendo bem.

Liguei várias vezes para as meninas e nem elas, nem elas sabem bem mais o que dizer. No fundo a gente sabe que cada um tem seu caminho, seu rumo e a verdade é que de repente, eu não me encaixo mais.

Tentei falar com a senhora também, como tentei… mas nada pareceu suficientemente importante para que parasse cinco minutos e me olhasse nos meus olhos, eu não te culpo, imagine, afinal, eu tenho tudo não é mesmo? O que mais eu poderia querer?

Essa sensação de que as “roupas” antigas já não me servem mais anda acabando comigo e para falar bem a verdade, não sei se sobreviveria a mais alguma decepção como essa, por isso, decidi por terminar por aqui.

Peço que continue cuidando da vó e claro, da senhora também.

Não deixe de colocar um copo de água sempre cheio perto do santinho na cozinha, sabe, se já fazia sentido para mim antes, agora então, nem se fala.

Continue orando por mim.

Mais uma vez e por fim, me perdoe, mesmo, a senhora foi o que de melhor me aconteceu, obrigada.

Carolina”

Rosana soltou a carta e correu pela casa procurando a filha.

– Carol meu amor. Gritava ela.

Era tarde demais.

Carolina era uma menina normal, classe média alta que tinha tudo para preencher a listinha de vida perfeita que a nossa sociedade transcreve.

Não era feliz no amor e aos seus quase 28 anos ainda não preenchia os requisitos: casada ou bem sucedida na profissão, ou ambos, porque não?

Procurou a mãe, família e as amigas por inúmeras vezes.  Aparentemente, ela não tinha nada de tão importante a dizer.

NUNCA MINIMIZE O SENTIMENTO DE ALGUÉM

O caso da Carol, contado ai acima, foi inventado.

Uma média de 32 casos como estes acontecem por dia no Brasil, um número ainda maior no mundo.

É IMPORTANTE COMPARTILHAR A DOR

É IMPORTANTE SE SENTIR AMADO

É IMPORTANTE ACREDITAR NO SER HUMANO

 

Eu, particularmente, me recuso a desacreditar.

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